Além de representar uma vitória econômica no sentido de garantir
o acesso aos recursos desejados para o cumprimento de seu programa de governo,
a aprovação do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, no último dia 23
de agosto, foi a primeira grande vitória política do governo dentro
da Casa, onde sua base não demonstrava solidez para projetos prioritários até
então.
Com 372
votos favoráveis a 108, o arcabouço fiscal foi aprovado com amplo apoio na
Câmara. Para moldar esse apoio, o governo recebeu uma ampla parcela de votos
dos partidos que, apesar de possuírem ministérios, não possuem alinhamento
ideológico, chegando a contar com parlamentares oposicionistas em seus quadros.
União Brasil, PSD e MDB, com posições de centro-direita, alcançaram mais de 80%
de coesão em seus votos em favor do marco fiscal.
O
projeto, porém, não recebeu votos favoráveis apenas por parte dos aliados
diretos do PT. Partidos que não compõem a base também votaram de acordo com a
orientação do Palácio do Planalto. O PP, partido do presidente Arthur
Lira (AL), foi um deles: de seus 49 deputados, apenas sete votaram de
forma contrária. A federação PSDB-Cidadania também foi majoritariamente
favorável ao arcabouço, com três votos contrários de seus 18 deputados. O PL,
de Jair Bolsonaro, deu um terço de seus votos para a aprovação da proposta.

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